Bagnaia critica documentário sobre o SepangClash
Bagnaia acusa a Dorna de distorções e falta de sensibilidade no documentário sobre o SepangClash, lançado na data marcada pela memória de Simoncelli.
Francesco Bagnaia, da Ducati Lenovo Team, criticou duramente a Dorna Sports após o lançamento do documentário que relembra o polêmico #SepangClash de 2015, envolvendo Valentino Rossi e Marc Márquez. O bicampeão mundial classificou a produção como “distorcida” e “inoportuna”, especialmente por ter sido lançada na mesma data em que se recorda o falecimento de Marco Simoncelli.
Após perder o pódio no GP da Malásia por um furo de pneu, Bagnaia direcionou sua indignação não ao azar em pista, mas à organização. “Alguns papéis foram retratados de maneira distorcida”, afirmou. “Escolher esta data para o lançamento não foi uma boa ideia.” Segundo ele, a Dorna ignora as emoções e a sensibilidade dos pilotos envolvidos.
O italiano revelou ainda que recusou participar do projeto. “Fui convidado no início do ano e disse que não era o momento certo”, declarou. Mesmo assim, o documentário traz entrevistas de figuras como Andrea Dovizioso — que admitiu ter “pouca lembrança” do episódio — e Ayumu Sasaki, que sequer fazia parte do MotoGP em 2015. “Sasaki não tem nada a ver com isso, o pobre garoto”, ironizou Bagnaia.
O filme também resgata imagens de um jovem Bagnaia celebrando no box de Rossi durante o conflito, o que reacendeu discussões nas redes sociais. O piloto rebateu com firmeza: “Por que voltar a exibir imagens privadas dez anos depois?”
Bagnaia criticou ainda o tom “Netflixiano” da produção, que busca dramatizar rivalidades históricas. “Algumas histórias precisam ser tratadas com cuidado, não com um calendário de marketing”, disse. Para o piloto, a tentativa de transformar polêmicas antigas em conteúdo pode reacender feridas que o esporte tentou superar.
A Dorna não se pronunciou oficialmente até o fechamento desta edição. O documentário, lançado como tributo aos “momentos que mudaram o MotoGP”, acabou reacendendo um debate sobre ética, memória e o limite entre espetáculo e respeito.